A lei do tabaco no Reino Unido para os jovens de 2009
No Reino Unido, passou uma lei que impede os jovens nascidos a partir de 2009 de comprarem tabaco. Até perfazerem 18 anos? Não: para sempre. Em 2089, quando uma pessoa nascida em 2009 tiver 80 anos, quem tiver 81 continuará a poder comprar tabaco - mas ela não.
Na prática, esta medida britânica dá aos cidadãos a possibilidade de terem, em todos os sentidos úteis, uma mamã até ao fim da vida. Se um inglês entrar numa tabacaria, a sua mamã estará eternamente ali, a aconselhá-lo a não fumar, até ao dia em que ele morrer.
Os americanos tentaram algo semelhante no início do século XX. As mamãs deles impediram-nos de beber álcool durante os 13 anos em que vigorou a Lei Seca. Só que, como a história recorda, a mamã de Al Capone não o impediu de enriquecer com o contrabando de bebidas. Morreu muito menos gente por abuso de álcool; morreu muito mais gente por causa do crime organizado. Mas não duvido de que todos os bandidos britânicos têm mamãs bem mais rígidas.
Pesquisar “mata mais que o tabaco” e proibir tudo
Entretanto, uma pesquisa no Google por “mata mais que o tabaco” devolve milhares e milhares de resultados. Exemplos não faltam: há estudos recentes a dizer que o açúcar mata mais que o tabaco; investigadores a concluir que o sedentarismo mata mais que o tabaco. E ainda: o consumo excessivo de bebidas alcoólicas mata mais depressa do que o fumo. E também: a poluição do ar mata mais que o tabaco; e a má alimentação mata mais que o tabaco.
Se assim é, quando um fumador sai do restaurante para vir fumar cá fora, ele estará a fazer mais mal à saúde ao respirar o ar da cidade do que ao dar uma passa. Entre a digestão da carne que comeu, o ar poluído que inspira e o cigarro, o que menos dano lhe provoca é o tabaco.
Torna-se, por isso, difícil perceber por que razão o Estado britânico se dedica mais ao tabaco do que a outros hábitos nocivos. O ideal - coerente, pelo menos - seria proibir tudo. Beber álcool, viver em cidades com níveis elevados de poluição, comer batatas fritas e bolos: tudo interdito. E, em paralelo, impor exercício físico, acompanhado de uma proibição da venda de sofás.
Se a Inglaterra quisesse mesmo ser verdadeiramente civilizada, obrigaria os cidadãos a beberem água, a viverem no campo, a apresentarem prova diária de consumo de saladas e a cumprir um plano de treinos nacional, com presença obrigatória no ginásio, todas as manhãs.
Tabaco na ficção: censura seletiva e exemplos edificantes
Para proteção de todos nós, a ficção já foi limpa de referências ao tabaco, para evitar maus exemplos junto de espectadores ingénuos. Lucky Luke trocou a beata por aquilo que parece ser uma espiga de trigo, fugindo aos males do tabaco e abraçando, em gesto abnegado, os males do glúten.
A personagem de Bruce Willis na série “Die Hard” deixou de fumar no quarto filme. Cortou com a nicotina, evitando assim chocar os mais impressionáveis enquanto espanca e mata bandidos.
E, no entanto, de forma espantosa, os filmes continuam a mostrar churrascos; à porta dos talhos continuam a não existir fotografias de cadáveres vitimados pela picanha; e ninguém é aconselhado a sair à rua de escafandro. Além disso, há atores que mantêm um índice de massa corporal capaz de influenciar pessoas a adotarem estilos de vida pouco saudáveis. Cuidado com esse perímetro abdominal, assassinos.
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