As maiores figuras de Hollywood, da música, do desporto e da moda passaram esta segunda-feira pelo tapete vermelho da Met Gala, o extravagante baile solidário de Manhattan que, nesta edição, coloca em destaque o encontro entre moda e arte.
Tema “A Moda é Arte” e a exposição «Arte do Traje»
Quem recebeu convite para aquele que é apontado como o maior acontecimento social do ano em Nova Iorque foi desafiado a vestir-se de acordo com o tema “A Moda é Arte”, pensado em articulação com a exposição «Arte do Traje», do Instituto de Trajes do Museu Metropolitano de Arte.
A mostra deste ano aproxima peças de moda sofisticada de pinturas e esculturas: um modelo da Saint Laurent surge lado a lado com «Íris», de Van Gogh, e um vestido de John Galliano para a Maison Margiela aparece associado a uma estátua antiga.
"Quando penso na exposição, se houvesse uma palavra para a descrever, suponho que seria equidade ou equivalência, equivalência entre obras de arte", disse o curador do Costume Institute, Andrew Bolton, à AFP. "Portanto, não há hierarquia entre escultura, pintura, moda, fotografia, nem hierarquia entre corpos, entre o corpo clássico ou o corpo com deficiência", acrescentou.
Tapete vermelho: primeiras chegadas e os looks de destaque
Para os apaixonados por moda, a Met Gala - realizada por tradição na primeira segunda-feira de maio - é um dos tapetes vermelhos mais influentes do mundo, conhecido pelo brilho quase ofuscante.
A antiga campeã de ténis Venus Williams e a atriz Nicole Kidman, vencedora de um Óscar, ambas copresidentes da edição, estiveram entre as primeiras a marcar presença.
Kidman chamou atenções com um vestido coluna vermelho, cintilante, de manga comprida, assinado pela Chanel e rematado por punhos largos em penas. Já Williams apareceu num vestido preto adornado com cristais Swarovski, acompanhado por um colar trabalhado e vistoso.
Williams, de 45 anos, disse à Vogue que o "look" foi inspirado por um retrato seu na Galeria Nacional de Retratos.
A cantora Beyoncé, também copresidente, ainda não tinha feito a sua aguardada entrada - a primeira em uma década.
Entre os membros do “comité de anfitriões”, a rapper Doja Cat envergava um vestido drapeado de látex da Saint Laurent, com um decote discreto, contrastando com uma fenda que subia até à cintura.
É também uma noite inevitavelmente marcada pela presença de Anna Wintour, diretora editorial global da Vogue e uma das maiores referências da moda nos Estados Unidos, que comanda o evento há 30 anos.
Angariação de fundos e impacto nas redes sociais
Apesar de toda a atenção mediática, a Met Gala existe como iniciativa de angariação de fundos para o Instituto de Trajes do Met. Este ano, foi alcançado um valor recorde de 42 milhões de dólares (quase 36 milhões de euros), segundo revelou aos jornalistas o diretor executivo do museu, Max Hollein.
Em paralelo, a gala funciona como um enorme espetáculo nas redes sociais, onde as celebridades exibem visuais exuberantes e deliberadamente exagerados, numa corrida informal para criar o maior momento da noite.
Na edição anterior, o foco recaiu sobre o dandismo negro, num ano em que a Met Gala destacou de forma rara os homens e a moda masculina.
Protesto
A edição deste ano ficou envolta em controvérsia depois de Jeff Bezos, presidente da Amazon, e a sua esposa, Lauren Sanchez Bezos, terem sido anunciados como principais patrocinadores e copresidentes honorários do baile, levando alguns ativistas a protestar contra a participação do casal bilionário.
A polémica intensificou-se novamente quando Bezos e Lauren Sanchez Bezos passaram a ser apresentados como patrocinadores de topo e copresidentes honorários da gala, situação que gerou novas manifestações de desagrado por parte de ativistas devido ao envolvimento do casal.
Ainda antes da Met Gala, uma campanha contra a participação de Bezos e da sua esposa apareceu nas ruas e no metro de Nova Iorque, com apelos ao boicote de um evento que alguns consideram uma exibição grosseira de riqueza extrema.
A campanha é atribuída a um grupo criado no Reino Unido, chamado “Todos Odeiam o Elon” - que, como sublinhou um porta-voz, "tem como alvo outros bilionários" além de Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo.
Wintour afirmou hoje que o casal tinha "demonstrado com este evento que se preocupa genuinamente em retribuir".
A Met Gala realizou-se pela primeira vez em 1948 e, durante muitos anos, esteve reservada à alta sociedade nova-iorquina. Foi apenas na década de 1990 que Wintour transformou a festa numa “passerelle” de enorme visibilidade para ricos e famosos.
A exposição «Arte do Traje», que abre a 10 de maio no histórico museu de Manhattan, propõe-se explorar o “corpo vestido” nas obras de arte ao longo dos séculos.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário